Capítulo 1

Anastasia 

Minha vida toda eu me senti como uma pecinha de um quebra cabeça lindo que simplesmente não se encaixava, desde a infância minha imaginação fértil me fez ser vista como uma menininha esquisita que sonhava acordada, mas, naquela época eu não ligava brincava sozinha com meus amigos imaginários e podia passar horas entretida com as histórias que eu mesma criava na minha cabeça, isso quando eu não estava lendo um livro. É claro que gostava de brincar com as outras crianças e queria ser aceita também, mas, aceitação não a coisa mais importante para mim naquela época.

Me pergunto a foi parar a autoconfiança daquela criança...

Eu cresci acreditando que não podia ser ouvida e que ninguém compreendia o que eu dizia a não ser quando eu escrevia, a escrita se tornou meu maior refúgio, minha zona de conforto, o lugar em que levava minhas ideias para o mundo real. Eu criava universos, lugares e pessoas, eu podia ser quem eu quisesse e não seria julgada, teria uma vida emocionante e ainda poderia salvar o dia no final. Se tratando de escrita eu me sinto uma verdadeira heróina. 

Mas, só de sonhos e paixões não podemos viver. E as vezes o chamado da vida adulta fala mais alto e temos que atender, eu sempre tive um instinto de independência muito forte por isso assim que tive a chance comecei a ganhar meu próprio dinheiro, fosse fazendo freelas em eventos ou com vendas, a partir dos 18 passei a buscar trabalhos formais e durante a faculdade consegui alguns estágios. Porém, no final da faculdade tive dificuldade em conseguir emprego na minha área e comecei a trabalhar em áreas paralelas, eu não trabalhava para pagar contas o que era ótimo, mas, gostava de não ter que pedir dinheiro para comprar minhas coisas e sair. Depois que terminei a faculdade voltei a fazer freelas em um restaurante aos finais de semana e administrava a empresa de eventos da minha família de casa, para ter mais tempo e me dedicar a minha verdadeira paixão: a escrita.

Eu sei bem que a realidade dos ricos e famosos estão completamente fora do alcance de pessoas normais como eu e que mesmo trazendo um olhar mais realista, onde minha heroína conquistava tudo com seus talentos e trabalho, eu sabia que se tratava de 1 em 1 milhão. Mas, sonhar faz parte e se puder vir acompanhado de um par atraente,  amoroso e uma relação leve e saudável, melhor ainda! Acho que é pra isso que servem os romances fictícios, pra dar mais leveza, já que nós deparamos com uma realidade frustrante e pesada, apesar das pessoas acharem que antigamente havia mais romantismo e talvez até houvesse mesmo, eu acredito que o ser humano só soube se relacionar na ficção, com exceção de raros casos reais a maioria das pessoas vivem frustradas com seus relacionamentos... Me pergunto se o problema talvez esteja no padrão de comportamento que temos em relação à nossa expectativa ao outro, é tão fácil querer namorar pra ser feliz e tão difícil querer namorar para genuínamente querer fazer o outro feliz. Pensamos sempre em nos preencher com a presença do outro, que nossa felicidade está com o outro... Talvez realmente esteja, mas, o problema é que todo mundo quer fazer a si próprio feliz e não pensa que talvez, só talvez se todos pensassem em fazer o outro feliz no final das contas todos seriam felizes. Se eu me empenhar pra fazer meu namorado feliz e ele fizer o mesmo por mim, no final ambos teremos felicidade genuína com o outro. 

Depois de muita reflexão decidi escrever um romance que trouxesse um pouco de utopia, um pouco de realidade, um pouco de Dorama, um pouco de romance e um pouco do que eu gostaria de viver em um relacionamento. Tenho costume de basear meus personagens em pessoas que eu conheço e até em mim, mas, para esse livro, eu precisava de mais e foi assistindo um vídeo dele nas minhas redes sociais que tive a ideia de criar um personagem totalmente inspirado nele. Lucas Kim seria meu muso e sendo honesta tirando nos Doramas, raramente vejo herói ou pares românticos da protagonista serem asiáticos, o padrão mais usado é o europeu. Lucas, tinha um ar de simplicidade e sofisticação que convergiam entre si de uma maneira muito harmoniosa.  Claro que a vida de glamour dele não tem nada de simplicidade, já a minha, mais comum impossível... 25 anos, uma graduação, desempregada, só o que tenho é minha criatividade e habilidade de escrita, um cenário perfeito para crise dos 25. Bom, dizem que os 30 é a idade do sucesso tenho 5 anos para fazer minha carreira acontecer, seja como escritora ou publicitária. A história reflete um pouco de mim obviamente, mesmo na ficção é mais fácil falar sobre o que vivemos e sentimos do que sobre uma persona completamente distinta. Me pergunto quando minha vida vai começar...


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